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Denunciam ante a OEA o caso da menina retida em Cuba

SÃO JOSÉ DA COSTA RICA, 3 junho 2001 (CubDest) "O caso da menina Sandra Becerra Jova, de 11 anos de idade, a quem o regime comunista cubano não permite sair do país para reunir-se aos seus pais residentes no Brasil, constitui um autêntico seqüestro de uma menor de idade", denunciou o jurista e exilado cubano, Dr. Claudio Benedí Beruff, diretor da Junta Patriótica Cubana, em mensagem pública dirigida aos chanceleres participantes da XXXI Assembléia Geral da OEA, reunida nesta capital.

A pequena Sandra é filha dos engenheiros cubanos Vicente Becerra e Zaida Jova, ambos de 38 anos, os quais realizam estudos de pós-graduação

na Universidade de Campinas (UNICAMP). O casal decidiu radicar-se definitivamente no Brasil após o nascimento, nesse país, de um novo filho, Daniel, hoje com 3 anos, fato que automaticamente concedeu a toda a família o direito de residência.

Os pais de Sandra decidiram tornar público o caso da retenção da menina após 4 anos de infrutíferos e humilhantes trâmites ante o regime de Fidel Castro. O assunto vem ocupando espaço em importantes meios de comunicação do Brasil e levou a chancelaria brasileira, em abril passado, a enviar um ofício à chancelaria cubana, intercedendo oficialmente para que Sandra possa vir reunir-se com seus pais e irmão.

A resposta negativa de Havana está aumentando o mal-estar no Brasil. Na semana passada, a Câmara Municipal de Campinas solicitou à chancelaria brasileira que renove com firmeza sua intervenção, para "abreviar o sofrimento da família e obter a libertação de Sandra", de acordo com o desejo de seus pais. Consta, aliás, que vários casais de universitários cubanos que estudam no Brasil estão passando por situações similares, mas até o momento têm guardado silêncio, por temor a represálias contra seus filhos que permanecem em Cuba.

A engenheira Zaida Jova, mãe de Sandra, em declarações à imprensa brasileira, afirmou que o regime de Havana que organizou mobilizações de massas para reclamar o retorno do menino Elián González a Cuba alegando o valor da "reunificação familiar", é este mesmo que "com crueldade nos mantém separados de nossa filha desde há 4 anos".

Em São José da Costa Rica, o Dr. Claudio Benedí solicitou também que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos intervenha na questão, para denunciar ante o mundo esta injustiça, que não é senão mais um exemplo da "violação institucional dos direitos humanos" praticada pelo comunismo cubano contra a indefesa população da ilha-prisão.